Relembre a 'química' entre Lula e Trump na Assembleia Geral da ONU em 2025 e como ela desandou desde então
22/09/2026
(Foto: Reprodução) ONU divulga foto de Trump assistindo a discurso de Lula na Assembleia Geral de 2025
Reprodução
Os presidentes do Brasil e dos EUA, Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, podem reeditar nesta terça-feira (21) um encontro na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
O episódio foi um ponto de virada na relação entre os dois chefes de Estado, que passaram a dialogar e até tiveram um encontro presencial, que resultou na retirada de tarifas e sanções ao Brasil. A relação voltou a desandar nos últimos meses, contudo. (Leia mais abaixo)
Como manda a tradição da Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro será o primeiro chefe de Estado a discursar no plenário, seguido pelo americano.
Em 2025, no primeiro ano do segundo mandato presidencial de Donald Trump, a sede da ONU foi palco do primeiro encontro presencial de Lula com o republicano. Naquele momento, o governo brasileiro tentava uma saída diplomática para o primeiro tarifaço aplicado por Trump ao país.
Também se discutia a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, sob a acusação de o ministro do STF ter agido politicamente na condenação de Jair Bolsonaro.
Apesar de fora da agenda de ambos, o acontecimento mereceu menção de Trump no púlpito da Assembleia e resultou em um encontro posterior.
Trump chegou a dizer que teve uma "química excelente" com Lula. Relembre:
Trump diz que abraçou Lula e que tiveram ótima química
"Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem", disse Trump. "Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos."
E Trump seguiu com os elogios ao presidente brasileiro.
"Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Quando não gosto deles, eu não faço. Quando eu não gosto, eu não gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal."
Depois do episódio, uma conversa por telefone entre os dois ocorreu em 6 de outubro.
Encontro na Cúpula da Asean
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O encontro oficial presencial finalmente aconteceu no dia 26 de outubro, em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Estiveram na pauta as tarifas impostas pelos EUA às exportações brasileiras.
As conversas resultaram na retirada das tarifas de 40% impostas pelos EUA em julho de 2025 que incidiam sobre café, carnes, frutas e outros produtos do Brasil. A Lei Magnitsky também deixou de ser aplicada contra Moraes no mês seguinte.
O momento foi o ápice das relações entre EUA e Brasil durante o atual mandato de Trump.
Fim da 'química'
Em julho deste ano, no entanto, as relações voltaram a desandar:
Um novo tarifaço foi aplicado ao Brasil pela Casa Branca. A medida foi anunciada após uma investigação dos EUA contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio. Desta vez, porém, milhares de produtos importantes para a economia americana ficaram isentos.
Uma outra rodada de tarifaço foi aplicada dois dias depois, supostamente como punição pelo uso de trabalho forçado na fabricação de mercadorias.
No início de agosto, o governo Trump também anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A Casa Branca justificou a medida como uma resposta à demora das autoridades brasileiras em conceder o aval diplomático para que Daniel Perez assuma a embaixada dos EUA no Brasil.
Já no último dia 16, um documento divulgado pela Casa Branca e assinado por Trump afirma que o Brasil falhou no combate a facções. O texto elogia governos de países alinhados a Trump e critica governos que não são considerados aliados por Washington.
Também neste mês, veio à tona o rascunho de um documento enviado ao Itamaraty exigindo que o Brasil permitisse que "dissidentes políticos" concorressem às eleições de 2026.
Especialistas veem nas ações indícios de tentativa de interferência do governo Trump nas eleições brasileiras.
Na segunda-feira (21), Lula criticou a postura do republicano, afirmando que Trump "age como um imperador", com a "lei do mais forte", impondo suas regras a outras nações.
"Ele [Trump] age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo. Quando você diz: 'Eu sou forte, eu sou o maior, eu sou o mais rico, eu posso tudo e o restante tem que obedecer'... É a chamada a lei do mais forte, eu não concordo com esse tipo de lei", disse Lula, repetindo crítica feita em 2025.
Na semana anterior, o brasileiro já havia respondido a Casa Branca sobre por que discordava da classificação do governo americano, que passou a considerar as facções CV e PCC como terroristas:
"Nós precisamos ganhar do crime organizado. E eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o [Donald] Trump. Quando o Trump fala em terrorismo, ele fala em terrorismo de Estado, ele não fala da luta e da briga pelo poder. Quem fazia isso? O Bolsonaro tentando dar o golpe no 8 de Janeiro. Isso é terrorismo, pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Isso é terrorismo de Estado", afirmou Lula.