Partido de Putin conquista número recorde de assentos no Parlamento em 1ª eleição após invasão à Ucrânia; UE critica: 'Retrocesso'
21/09/2026
(Foto: Reprodução) Partido de Putin conquista número recorde de assentos no Parlamento russo
O partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, conquistou um número recorde de assentos na câmara baixa do Parlamento russo, segundo resultados preliminares divulgados nesta segunda-feira (21). O Kremlin celebrou o resultado, e a União Europeia repudiou chamou o pleito de "grande retrocesso".
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Com quase todos os votos apurados após a eleição de três dias, da qual não participaram partidos críticos a Putin, os resultados mostraram que o partido presidencial terá uma supermaioria na Duma com 355 do total de 450 assentos, segundo chefe da comissão eleitoral russa, Ella Pamfilova.
👉 A supermaioria obtida desta vez é superior ao recorde anterior, registrado em 2016, quando o Rússia Unida conseguiu 343 cadeiras no Duma.
Essa eleição era tratada pelo Kremlin como particularmente importante, porque foi a primeira a ser realizada após o início da guerra da Ucrânia. O pleito serviria a Putin e sua equipe para medir o apoio do público russo ao conflito, que está em seu 5º ano sem perspectiva de ser finalizado.
Assim como o restante do aparato estatal russo, o Duma é subordinado ao governo Putin e as eleições parlamentares foram rigorosamente controladas e sem a participação de forças políticas contrárias à guerra na Ucrânia.
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante discurso em 18 de setembro de 2026.
Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via REUTERS
O Kremlin celebrou nesta segunda o resultado da eleição e afirmou que a vitória esmagadora do partido de Putin mostra que os russos apoiam o presidente.
“Esses indicadores apontam, é claro, para o mais alto nível de coesão da sociedade russa em torno do chefe de Estado”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante uma entrevista coletiva.
A Comissão Europeia afirmou que as eleições parlamentares russas mostraram uma “erosão contínua e crescente da democracia” e uma “repressão sistemática e institucionalizada” do governo Putin contra a oposição.
“As supostas eleições para a Duma representaram mais um grande retrocesso para a democracia russa. Seu resultado nunca esteve em dúvida. O Kremlin silenciou a dissidência, impediu a participação do único partido registrado que se opunha à sua guerra na Ucrânia e excluiu observadores eleitorais internacionais. O verniz de democracia é tudo o que resta na Rússia”, afirmou a alta representante da UE para a política externa, Kaja Kallas.
A oposição russa afirmou que a votação ficou longe de ser justa.
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Países criticam eleições na Ucrânia ocupada
Ucraniana vota em eleições parlamentares russas próxima a soldado russo armado com fuzil na Donetsk ocupada, na Ucrânia, em 18 de setembro de 2026.
REUTERS/Alexander Ermochenko
Um grupo de cinco países criticaram nesta segunda-feira o fato que as eleições parlamentares russas tenham sido realizadas com a população ucraniana dos territórios ocupados pelas tropas russas em meio à guerra.
Os países incluem Reino Unido, Noruega, Canadá, Nova Zelândia e Austrália.
Os países chamaram de “falsa” a votação conduzida na Ucrânia e classificaram a iniciativa como “parte de um sistema mais amplo de ocupação”.
“Realizar eleições para a Duma Estatal da Rússia nos territórios temporariamente ocupados da Ucrânia (...) constitui uma grave violação da soberania e da independência da Ucrânia e da Carta da ONU”, disseram os países em um comunicado conjunto que citou as votações realizadas na Crimeia ocupada e nas regiões de Donetsk, Kherson, Luhansk e Zaporizhzhia.
Agências de notícias internacionais reportaram na sexta-feira a votação nos territórios ocupados, em que os ucranianos votavam ao lado de soldados mascarados e armados com fuzis. Veja aqui.
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